Fala criativa em

FORMAÇÃO DE PROFESSORES EFAI

No dia 25 de maio, os professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental participaram de um encontro de formação conduzido pela Profa. Ms. Sirlene de Castro Oliveira, com o tema: “A ética não como enfeite, mas como linguagem que comunica e educa & A educação por meio da arte – o espaço como terceiro educador”.

Mais do que uma formação sobre estética, vivenciamos uma reflexão profunda sobre o papel educativo dos ambientes, dos materiais, das produções e dos gestos cotidianos presentes na escola. Partindo da análise de painéis, cartazes e murais, discutimos como cada escolha visual comunica valores, organiza o olhar e influencia a forma como as crianças percebem o mundo. Afinal, a estética não é luxo. É cuidado, presença, intencionalidade pedagógica e respeito pelo outro.

Para a reflexão, utilizamos os textos da arte educadora Ana Mae Barbosa que desenvolveu o método de ensinar por meio da arte, conhecido como Abordagem Triangular, que se sustenta em três pilares: conhecer a história, o próprio fazer artístico e saber apreciar uma obra de arte. Para refletir sobre “o espaço como terceiro educador” pautamos-nos na experiência pedagógica de Reggio Emilia, que enfatiza a criança como protagonista de seu próprio aprendizado e a educação é vista como um processo colaborativo, em que crianças, educadores e pais atuam conjuntamente na construção do conhecimento.

Durante o encontro, os participantes vivenciaram experiências sensíveis e criativas: desenharam a partir da escuta do poema “Leilão de Jardim”, de Cecília Meireles e escreveram textos inspirados na obra de Candido Portinari “Empinando pipa”, exercitando a relação entre arte, imaginação, memória e expressão.  

Refletimos sobre questões fundamentais:  O que comunicam as paredes da nossa escola?  O que ensinam nossos murais?  Estamos formando apenas executores ou sujeitos sensíveis?  As crianças aprendem beleza conosco?

Encerramos o encontro reafirmando que a arte na escola não é um enfeite de corredor. Ela é formação do olhar, da sensibilidade e do pensamento. Porque quem aprende a olhar melhor, aprende também a sentir, pensar e existir com mais delicadeza no mundo.

Profa. Ms. Sirlene de Castro Oliveira

Confira os textos criados durante a formação:

DIA CINZENTO

Talita Barbieri Alves

Talvez a cena não revele o dia pesado,

Tudo cinza, incertezas de um dia nublado.

Pés descalços, roupa simples, a humildade

A terra encardindo a roupa revela a pouca idade.

Inocência, sonhos, pobreza…

Mesmo na simplicidade, não tem espaço a tristeza

A luta, a garra, a pipa que voa alto

Revela a esperança nas brincadeiras das crianças.

Ainda não mensuraram a dificuldade

E cansaço da mãe solteira que ficou

Em casa lavando a mala de roupa.

Vó lavadeira, mãe bordadeira, crianças

Que sonham com futuro como das brincadeiras.

Um dia cinza, frio, sem cor.

Irmãos que carregam amor

Ignoram na pipa colorida a dor

E acreditam num futuro melhor

Como a pipa, não tem limites para voar.

O que vale a pena é sonhar.

BRINCADEIRA DE OUTONO

Daniele Campos Botelho

Pacato, o outono desgentil

A paisagem seca, serena, silêncio,

No horizonte o marrom substitui o anil

Na estrada senil as crianças brincam

A infância não requer muita cor

Dois papagaios dançam no sopro

O mesmo que mistura terra e calor

Brincam, duas crianças

Ainda que, apesar de

E sob o rompante e qualquer mudança.

SOLTAS AO VENTO

Kelly C. de O. Rezende de Deus

Na tarde sombria e cinza,

Pipas soltas ao vento balança

Como as folhas que emanava brilho sem cor.

O céu anunciava que quem esperava

Não empinava aquela linda pipa

De cor vibrante que cintilante parecia.

Todo colorido naquele que cinza estava,

Tornou vivo o céu

Daquela tarde de domingo que a brisa encontrava.

Dois amigos juntos para dar

Vida aquela que parecia uma

Tarde sombria que logo brilha

Para dar vida ao sonho.

PIPA

Ana Lídia S. Teixeira

O que o amor de

Um avê não  faz?

Por “ele” tudo fz!

Uma pipa ela faz.

Mas a pipa sozinha não faz

A alegria de uma criança.

LIVRE COMO O VENTO

Andréa de O. Ferreira Silva

Tempo de felicidade,

Alegria, diversão

Amor incondicional no coração.

Assim como flutua a pipa

Ao vento, faz crescer no

Pensamento, aquele tempo

De liberdade que não

Volta mais,

Lembranças de momentos únicos e memórias

Inesquecíveis.

2ª SÉRIE

Melissa A. T. Araújo Rodrigues

Eu e minha amiga, duas pipas no ar

Pulando o muro da casa para brincar

Correndo pela rua como atletas

Cabelos ao vento em nossas bicicletas

Voltando para casa no fim do dia

Para levar bronca com muita alegria.

O VOAR DE UMA PIPA

Carolina Cunha Manhezzo

E se vai…

Como a infância um dia chegou

E precisou partir.

Entre as nuvens

Que ditam o clima

E se abrem para o dia sorrir.

Na imensidão de folhas secas

Que transformam-se com o tempo,

E fazem a vida fluir.

INFÂNCIA

Dayana Diniz

Em meio à vermelhidão daquela terra,

Do cheiro de mato,

Da textura das folhas caídas,

E do vento em meus cabelos,

Sinto meus pés descalços,

avançando pela estrada,

Empinando a pipa,

Que voa levando a minha alma,

Nela vão meus sonhos,

Criando memórias,

que jamais serão apagadas,

Lembranças de uma infância,

Querida e amada.

PIPAS AO VENTO

Maria Eduarda Silva


Na estrada de terra da infância,

onde o horizonte parece não ter fim,

uma criança ergue os braços ao céu

e aprende, sem saber, a crescer.


As pipas dançam entre nuvens leves,

colorindo o silêncio do caminho.

Sobem devagar, levadas pelo vento,

como sonhos que descobrem suas asas.


Há fios que as ligam ao chão,

mas não as impedem de voar.

Assim também é a criança:

raiz e voo, abrigo e descoberta.


Cada olhar curioso abre um caminho,

cada pergunta acende uma manhã.

E a sala que acolhe seus passos

torna-se campo aberto para o encantamento.


Ali, o mundo não cabe apenas nos livros;

floresce nas cores, nos gestos, na escuta,

nos cantos que convidam à imaginação

e nas janelas que se abrem para o possível.


Crescer é isso:

seguir o vento sem perder a essência,

alcançar alturas nunca sonhadas

e ainda guardar a beleza do primeiro voo.